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Óleos essenciais
15 de dezembro de 2020 bookboxadm

Óleos essenciais

Notícias

Os óleos essenciais, ou óleos voláteis, são definidos como compostos imediatos de origem vegetal, aromáticos e voláteis, extraídos de raízes, caules, sementes, flores, folhas, e outras estruturas das plantas. São compostos altamente aromáticos, amplamente utilizados como flavorizantes (que conferem odor e sabor a produtos alimentícios), como componentes de cosméticos e produtos de perfumaria e higiene, além de apresentarem propriedades terapêuticas cada vez mais estudadas e constatadas.

Nas plantas, os óleos essenciais encontram-se em estruturas específicas, como tricomas (pelos), glândulas e canais secretores, dentre outras. Esses compostos são resultantes do metabolismo secundário (que não é responsável pelo crescimento e desenvolvimento), e possuem diversas funções biológicas, dentre as quais podemos citar a função atrativa para polinização, defesa contra infecções por fungos e bactérias, ou como para sobrevivência da espécie, inibindo a ação de alguns herbívoros.

Estes compostos possuem um conjunto de propriedades que permitem sua caracterização e isolamento, dentre as quais podemos citar a volatibilidade, o sabor e aroma, a solubilidade limitada em água e solubilidade em solventes orgânicos. A diferença de um óleo essencial para um óleo fixo é a sua capacidade de evaporar (volatilizar) quando em exposição ao ar, e sua relativa lipossolibilidade permite que o aparelho olfativo do homem consiga perceber suas características e seus componentes específicos. Uma curiosidade é que, apesar da sua denominação, esses compostos não são “óleos” propriamente ditos.

Quimicamente, os óleos essenciais são moléculas orgânicas de cadeia relativamente (longas até 35 carbonos), constituindo misturas complexas de hidrocarbonetos, álcoois, ésteres, aldeídos, cetonas, fenóis e outras funções químicas. Na grande maioria das plantas, existe de um a três componentes majoritários característicos para cada espécie, normalmente compostos fenilpropanoides e diversos derivados terpenoides (derivados do isopreno) (CARDOSO et al, s.d.)

Breve histórico do uso dos óleos essenciais

De acordo com Trancoso (2013), existem relatos do uso de essências de plantas pelos chineses desde 2700 a.C., pelos hindus em 2000 a.C., por persas e egípcios. Dentre as ervas utilizadas, são citadas o gengibre, o capim-limão e o ópio. Na época das Cruzadas, entre os séculos XI e XIII, o uso de óleos essenciais foi difundido entre os árabes, tendo sido o físico árabe Avicena (980-1072 d.C.) o primeiro a extrair o óleo essencial de rosas. Mas foi somente no século XVI que foram desenvolvidas técnicas de extração e separação dos óleos essenciais, e em 1558 o italiano Giovanni Battista della Porta publicou o Magiae naturalis sive de miraculis rerum naturalium, obra compilatória do conhecimento global em diversas áreas do saber. A partir dos séculos XVI e XVII, a comercialização dos óleos essenciais foi impulsionada pelo maior conhecimento científico e propagação das propriedades benéficas destes produtos. Na primeira metade do século XX, as propriedades terapêuticas e curativas dos óleos essenciais foram exploradas, bem como iniciaram-se a imitação destas essências, através da realização de sínteses químicas que, apesar de alcançarem os odores destes ativos, não foram capazes de alcançar as demais propriedades terapêuticas, possivelmente devido à grande diversidade de componentes encontrados nos óleos essenciais naturais.

No Brasil, um dos primeiros óleos essenciais a ser explorado foi o linalol, composto extraído do pau-rosa, de aroma muito agradável. Devido à exploração desenfreada, esta planta faz parte da lista dos vegetais sob risco de extinção. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil apresentou um grande aumento na produção e exportação de óleos essenciais, o que auxiliou de forma significativa a economia do país (TRANCOSO, 2013).

Extração e caracterização de óleos essenciais

A obtenção dos óleos essenciais é feita através de processos altamente controlados, uma vez que sua composição pode ser afetada pela exposição ao ar, luz e calor, e à presença de metais, água, e outras impurezas que acarretam em alterações físicas e químicas que levam modificações e/ou perda de suas características organolépticas.

As técnicas mais utilizadas para a extração dos óleos essenciais são as que envolvem arraste a vapor e hidrodestilação. O uso de solventes orgânicos também é valioso, assim como processos de extração a quente e a frio (enfleurage). O método mais moderno, e também o que oferece produtos mais puros e originais é a extração por CO2 supercrítico, uma técnica onde o gás carbônico (CO2) encontra-se nos limites críticos de pressão e temperatura, perfazendo uma única fase com propriedades intermediárias entre os estados físicos líquido e gasoso, apresentando maior capacidade de solubilização de compostos (DE FILIPPIS, 2001).

Usos gerais dos óleos essenciais

Os óleos essenciais possuem diversos usos, dependendo de suas propriedades características. Os usos principais são voltados à indústria de alimentos, cosmética, em produtos de higiene e de limpeza, e até mesmo em medicamentos. Entretanto, seu uso para a promoção do bem-estar, com aplicações como óleos de massagem, aromatização de ambientes e compressas, vem crescendo rapidamente nos últimos anos. Nestes casos, adota-se um uso “medicinal” dos óleos essenciais, aproveitando-se de suas capacidades relaxantes, antimicrobianas, anti-inflamatórias e analgésicas, dentre outras.

Outro uso que apresenta-se como uma promissora forma de uso dos óleos essenciais é devido a suas propriedades antibacterianas, como verificado em um estudo envolvendo bactérias de origem alimentar, no qual foi observado que óleos essenciais de hortelã (Mentha piperita),
capim-limão (Cymbopogon citratus), manjericão (Ocimum basilicum) e manjerona
(Origanum majorana) apresentam atividade inibitória, ainda que de forma variável, contra cepas de Escherichia coli, Salmonella enterica Enteritidis, Listeria monocytogenes e Enterobacter sakazaki (VALERIANO, 2012). Outros estudos envolvendo os óleos de melaleuca e alecrim também demonstraram atividade antibacteriana satisfatória destes óleos essenciais (DA SILVA, 2019).

Usos terapêuticos dos óleos essenciais

Os óleos essenciais vem cada vez mais sendo utilizados como parte de tratamentos holísticos, onde o tratamento de distúrbios físicos alinhado com tratamentos mentais e psíquicos são parte dos benefícios oferecidos por estes compostos. Os óleos essenciais mais utilizados e conhecidos por seus benefícios são: camomila, limão, lavanda, melaleuca, alecrim, hortelã pimenta, eucalipto, sândalo, ylang-ylang, e rosa. Cada um deles apresenta propriedades específicas, como por exemplo estimular o sistema digestório (limão), propriedades relaxantes (lavanda), dores de cabeça (hortelã-pimenta), dentre outras.

Contraindicações do uso dos óleos essenciais

Apesar de serem produtos oriundos de fontes vegetais, e da propagação do pensamento de que “natural não faz mal”, os óleos essenciais purificados podem apresentar efeitos deletérios quando utilizados em grandes quantidades ou de forma inadequada. Isso porque um óleo essencial pode ser composto por mais de 200 substâncias. Processos de sensibilidade individual ou associação com outros medicamentos podem desencadear reações adversas ou processos de toxicidade.

Os cuidados a serem tomados consistem em utilizar os produtos em baixas doses (uma vez que a toxicidade é dose-dependente), observar reações, ainda que leves, após o uso de algum óleo essencial, obter os produtos de fornecedores confiáveis, e não utilizar os óleos indiscriminadamente. Grupos específicos de pessoas (por exemplo, gestantes, idosos e crianças abaixo de 3 anos) também precisam de cautela no uso destes produtos.

Por fim, lembre-se sempre que os produtos naturais são excelentes aliados no ajuste da saúde física e mental, desde que respeitada a natureza de cada produto, e desde que haja consciência na forma de utilização destes produtos.

Referências Bibliográficas

CARDOSO, M.G. et al. Óleos essenciais. Boletim Técnico nº 62(1). Editora da Universidade Federal de Lavras. S.d. Disponível em http://www.editora.ufla.br/ index.php/boletins-tecnicos-e-de-extensao/index.php/2-editora/71-baixar-boletins. Acessado em 07 Jan 2020.

DA SILVA, A.J. et al. Avaliação da atividade antimicrobiana de óleos essenciais obtidos de diferentes fabricantes. Sinapse Múltipla, Belo Horizonte, v. 8, n1, jul., p.33-40, 2019.

DE FILIPPIS, F.M. Extração com CO2 supercrítico de óleos essenciais de Hon-Sho e Ho-Sho: Experimentos e Modelagens. 2013, 114f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Química). Escola de Engenharia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2013.

TRANCOSO, M.D. Projeto Óleos Essenciais: extração, importância e aplicações no Cotidiano. Rev. Práxis, Rio de Janeiro, v. 5, n. 9, 2013. Disponível em: http://web.unifoa.edu.br/praxis/numeros/09/89-96.pdf. Acesso em 03 Jan 2020.

VALERIANO, C. et al. Atividade antimicrobiana de óleos essenciais em bactérias patogênicas de origem alimentar. Rev. Bras. Pl. Med., Botucatu, v.14, n.1, p.57-67, 2012. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rbpm/v14n1/v14n1a09.pdf. Acessado em 08 Jan 2020.

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