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Transtorno de Personalidade Borderline
15 de dezembro de 2020 bookboxadm

Transtorno de Personalidade Borderline

Notícias

Encontramos o termo borderline na literatura médica pela primeira vez em 1938, introduzido por Adolf Stern, que o utiliza para descrever um quadro caracterizado por narcisismo, “sangramento psíquico”, hipersensibilidade desordenada, rigidez psíquica, reações terapêuticas negativas, sentimentos de inferioridade, masoquismo, ansiedade somática, projeção e dificuldades no teste de realidade. Desta maneira, descreve um grupo de pacientes que estaria numa fronteira entre a neurose e a psicose, apresentando alterações importantes tanto à vista da psicopatologia fenomenológica quanto da psicopatologia psicanalítica.

Dentro da literatura psicanalítica, o termo foi sendo apresentado e discutido nas décadas subsequentes de diferentes maneiras e com diferentes significados. Na literatura psiquiátrica formal, porém, o termo permanece ausente durante muito tempo.

É somente na década de 70 que alguns autores passam a defender a ideia de que seria necessária a criação de uma nova categoria diagnóstica que pudesse definir este grupo de pacientes. Em 1975, Gunderson e Singer publicam um trabalho propondo uma definição para o transtorno, trazendo assim a proposta de um novo diagnóstico.

O diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline aparece como conhecemos, pela primeira vez em 1980 sendo parte específica do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (3ª edição). Entretanto, apesar dos avanços, pouco se conhecia a respeito desses pacientes, mesmo entre os psiquiatras, que tinham uma noção genérica sobre esse transtorno. Esses pacientes eram rotulados como “difíceis” e com alto risco de suicídio. Nas décadas seguintes, novos estudos foram feitos a partir da criação oficial do diagnóstico, surgindo pesquisas que relacionavam abusos e negligências (em especial o abuso sexual)  com o transtorno. Hoje este tipo de transtorno é o transtorno de personalidade mais estudado e mais diagnosticado.

Pacientes com transtorno de Personalidade Borderline são indivíduos que apresentam algumas características particulares: agirem por impulso, uma  instabilidade emocional e uma dificuldade em aspectos diversos da vida, principalmente nos relacionamentos com outras pessoas, na imagem que têm de si mesmos e nas inúmeras exposições a riscos. Nos relacionamentos com outros indivíduos são muito intensos e muito instáveis. De modo geral são pacientes que tiveram alguma dificuldade no seu desenvolvimento afetivo. O indivíduo normalmente passou por experiências que interromperam seu desenvolvimento normal, como abuso sexual, negligência por parte da família ou mesmo sofrido violência por grupos dos quais fez parte, como é o caso do bullying, e por conta desse desenvolvimento alterado, passa a ter dificuldade de controlar as emoções quando mais precisa delas, deflagrando assim o quadro que descrevemos acima.

O diagnóstico pode demorar a ser feito, sendo comum esse indivíduo ser acusado de “chamar a atenção dos outros” ou “ser carente demais”. Outro sintoma que encontramos é a automutilação, presente em uma parte importante dos casos e de extrema gravidade. É importante ressaltar que, por mais difíceis que esses casos aparentem ser, há para esse indivíduo um tratamento adequado, baseado na combinação de medicamentos e psicoterapia, que melhora o funcionamento em vários campos da vida e permite a construção de relacionamentos futuros muito mais adequados, permitindo um funcionamento global muito melhor.

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